Revista DESTEMPO, cidade, arte e cultura, vol. 1
A revista digital Destempo, Cidade, Arte e Cultura tem publicação semestral e é organizada por Eneleo Alcides e Rosangela Cherem (editores responsáveis). O primeiro volume desta revista teve organização completa de Raul Antelo (ex-professor de Literatura na UFSC e autor de inúmeras obras relevantes no campo de Teoria e Crítica de Literatura e Arte), para quem “Arte é tensão. Momento chave de coagulação do novo e ocasião ímpar para pensarmos o presente”. Autores de diferentes países compõem um dossiê com cinco artigos em comemoração aos cem anos de publicação do livro de poemas Pau Brasil, de Oswald de Andrade. Além do dossiê, a interlocução se mantém no que seu organizador chama de textos suplementares, a saber um texto intitulado Notas a Destempo, além de mais dois artigos e uma entrevista com o artista Fernando Lindote.
Em Notas a destempo, a socióloga e ensaista María Pia López reflete sobre posicionamentos e posturas em alternativa ao futuro proposto pela extrema direita. Em Pena, paleta e olhos livres: um viajante aprendiz, a professora de Teoria Literária da USP Maria Augusta Fonseca aborda o período em que Oswald de Andrade esteve em Paris, em 1923. Em Poética Mecânica, o professor de Teoria Literária da UFSC e crítico de arte Raul Antelo aborda a poética da Poesia Pau Brasil; em Blumenau, o médico do Serviço de Febre Amarela do Ministério da Saúde e antropófago de 28, Júlio Paternostro, já falecido, comparece com seu texto publicado em 1938, em que registra, como um viajante, a geografia, a composição humana e social peculiar dessa cidade catarinense. Em Pau Brasil: um documental de poesia, o escritor e cineasta Eduardo Savella aborda a relação entre montagem cinematográfica e a poesia de Oswald de Andrade. Em A Negra: vestígios estruturais e figurações moleculares, o pesquisador de Literatura e Arte do Instituto Federal de Tecnologia da Suiça (ETH), Eduardo Jorge de Oliveira analisa a tela de Tarsila do Amaral a partir dos “psicogramas” de Carl Einstein. Em Enfiar o orvalho: as pegadas de um herbário, a professora emérita de Línguas e Literaturas Latino-americanas da Universidade de Leiden, Luz Rodríguez Carranza analisa o trabalho da ilustradora belga Silvanie Maghe que explora a transmutação da poesia em imagens, feitas a partir da obra de Emily Dickinson. Em BIENALSUR: Cartografias disidentes para un proyecto (in) disciplinado, a historiadora da arte, curadora e professora de Teoria Comparada das Artes da Universidade Nacional de Tres de Febrero Diana Wechsler parte do manifesto em que Torres Garcia desenhou um mapa da América Latina invertido, para defender a importância de traçar outras dinâmicas a partir da arte contemporânea. A edição finaliza com uma entrevista concedida por Fernando Lindote ao organizador Raul Antelo.



