Galeria Movimento

A Galeria Movimento é a transformação de um antigo oratório em um dispositivo itinerante  da Plataforma Destempo. Seu reduzido tamanho permite que se desloque para levar exposições de artes visuais com obras em pequenos formatos ao encontro de um público que circula principalmente pelos ateliês de artistas. Sua finalidade não é comercial, seu principal objetivo é divulgar trabalhos artísticos e ampliar as reflexões sobre a arte na atualidade, sua importância e diferentes possibilidades.

BIOGRAFEMA DE UM ORATÓRIO, NOTÍCIAS DE UMA EXPOSIÇÃO

Ao contrário do que acontece com outras galerias, a Galeria Movimento nasceu de um encontro inesperado, enquanto pesquisadores se preparavam para uma exposição numa casa de uma antiga freguesia, atual bairro de Santo Antônio de Lisboa, em Florianópolis. 

 

Era um oratório que se decompunha num canto da cozinha, não indicando nenhum tipo de apreço ou reconhecimento pela sua função, ou seja, uma peça que talvez um dia tivesse sido destinada a guardar imagens religiosas, pertencente a alguma família que costumava demandar proteção e saúde, talvez ficasse num quarto ou numa sala. Posteriormente pode ter servido para guardar louças utilitárias ou peças decorativas, permanecendo, até que seus próprios donos o tivessem esquecido e seus herdeiros nem tomassem mais conhecimento do móvel. Não porque o desmerecessem, mas porque não viam nele mais do que madeiras carcomidas e empoeiradas, sem nenhuma serventia, à espera de uma coleta de lixo para a qual nem valeria o esforço. 

 

E foi assim, avariado e destituído da vida que um dia teve, que ele nos olhou, fazendo-nos pensar o que poderia ser se alguém o adotasse e lhe concedesse uma outra destinação. A decisão foi imediata e não deixou dúvida, agora ele seria recuperado para se tornar uma espécie de mostruário. Ainda que fosse um integrante pobre e distante, a linhagem a qual passaria a pertencer vinha de longe: armário devocional para adoração de deuses ou abrigo de memórias de antepassados destinados à proteção dos lares e comunidades, retábulos medievais, oratórios coloniais, gabinetes de curiosidades, peças de sacristias, estantes de bibliotecas e exposições ousadas de artistas experimentais do início do século XX. 

A partir do inverno de 2025, o oratório passou a abrigar obras de pequeno formato, qualificando o portátil e acolhendo, com ousadia, justaposições entre o sagrado e o profano, a ciência e a arte, o banal e o extraordinário, o individual e o coletivo. O fato de não possuir porta o torna vulnerável e, por isso, ele se move entre ateliês, lugares onde esteja protegido e possa experimentar novos encontros e atravessamentos.

Sua primeira anfitriã foi a artista visual Ilca Barcellos, que em seu ateliê recebe muitos interessados em aprender e praticar arte. A primeira exposição, A Impermanência dos Viventes foi da artista Clara Silveira, jovem, viajada, ex-aluna de Artes Visuais do CEART/UDESC, bailarina de tango e filha de médicos que sempre a estimularam a encontrar seus próprios caminhos.

A segunda exposição, Gratia Plena, ainda no mesmo ateliê, foi da artista Rosana Bortolin. Seus objetos cerâmicos, chamados Santinhas, se transformaram em Graças, por meio das quais ela aborda o controle da sexualidade e do desejo feminino.

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