Con-Fabulando Paisagens
ZULMA BORGES
Curadoria
Clara Rovaris, Lígia Czesnat, Gustavo Scheidt e Tainá Sant’Anna
A aquarelista apresenta uma série de trabalhos concebidos como livros de artista, feitos em pequenos cadernos e concertinas, sob a forma de estudos de observação, por vezes ao ar-livre, principalmente em seu jardim, e por vezes em seu ateliê, todos caprichadamente elaborados durante o período da pandemia. Assim, ela testemunha a imaginação como uma capacidade desafiadora de construir uma escapatória sensível, diante de um tempo de reclusão tão árduo e assustador que se prolongou ao longo de dois anos. Con-fabulando paisagens tem sua exibição presencial na Galeria Momento, um espaço expositivo itinerante da Plataforma Destempo, montada na Escola Câmera Criativa entre 30 de maio e 27 de junho. Recebe agora sua versão virtual.
O inusitado das aquarelas de Zulma Borges, para além do seu trabalho e domínio técnico como aquarelista com longa experiência e conhecimento, pode ser conferido em seus pequenos livros de paisagens que se assemelham as iluminuras medievais. A este respeito , cabe lembrar que a palavra miniatura é derivada do latim, minimum, tendo sido originalmente empregada para destacar as iniciais dos manuscritos, os quais, pouco a pouco foram ganhando figuras e até mesmo pequenas cenas dentro destas letras laboriosamente feitas, até que isto resultou na denominação de pequenas pinturas como meio de expressão artística dos autores e copistas daqueles livros.
Ocorre que Zulma Borges, não apenas recorre aos tamanhos diminutos, pois o que neles se destaca são os temas. Ela recorreu a concertina ou sanfona, além dos sketchbooks, como uma forma peculiar de suporte, legatária de uma tradição que chega dos monges medievais, mas também chega aos autores e editores simpáticos à estética simbolista e do art nouveu. Porém, seus livretos revelam maestria no trato das paisagens, principalmente registradas em suas viagens, além dos parques e jardins de sua apreciação, cuja cartela de cores cuidadosamente trabalhadas, muitas vezes remete ao fauvismo de Matisse, praticante de uma estética exótica e sensual, com o predomínio de tonalidades vibrantes como o roxo, verde, amarelo, azul e tons ocres, utilizados caprichosamente, sem preocupação com maiores fidelidades ao olhar de precisão naturalista.
A aquarela é uma técnica de pintura conhecida por sua capacidade de criar efeitos etéreos e luminosos, permitindo uma variedade de abordagens, desde lavagens suaves até detalhes vibrantes, tornando-se uma escolha versátil para o fazer artístico. Como uma espécie de poeta visual dedicada a esta modalidade, as miniaturas desta artista contemplam uma riqueza de possibilidades e destrezas, tanto na sua fatura como em sua poética, trabalho que, por sua vez, encanta e comove os olhos de quem observa.
Clara Rovaris, Gustavo Scheidt, Lígia Czesnat e Tainá Sant’Anna
Equipe Curatorial
Conheça a Galeria Momento, espaço expositivo itinerante da Plataforma Destempo que recebeu a exposição presencial.






