Raul Antelo Lança o livro Brasil Gerson
Brasil Gerson é o protagonista do mais recente livro de Raul Antelo, mas não espere por uma biografia. Embora alguns detalhes de sua vida estejam espalhados pelos capítulos, isto se deve ao fato de que o autor buscou melhor abordar o conteúdo dos textos daquele jornalista e escritor. Nascido em 1904, na então pequeníssima cidade catarinense de São Francisco do Sul, ainda na adolescência iniciou sua carreira no Jornal de Joinville. Antes de completar vinte anos, já estava no Rio de Janeiro, onde se tornou o primeiro cronista cinematográfico de A Manhã, vindo a trabalhar também no vespertino Boa Noite. Após a temporada carioca, onde alimentou o pseudônimo de cavalheiro do teatro que vive nos cinemas, transferiu-se para São Paulo, trabalhando, entre outros, no Correio Paulistano, único jornal a apoiar a Semana de 1922, no Diário da Noite e em A Platéa, jornal esquerdista do qual foi diretor.
Inserido entre os apoiadores da Semana de 22, o jornalista também participava das discussões modernistas que se travavam na residência do arquiteto Gregori Warchavchik (1928). Pouco tempo depois, iria colaborar no último número de O homem do povo, periódico de Oswald e Pagu, criticando os intelectuais próximos do Partido Democrático, dentre eles, Mário de Andrade, por guardarem com carinho a primeira situação individual conquistada na velha e clássica luta pelo pão e a roupa, no amanhã do sempre. Reconhecendo-se como uma fita colorida de enredos banalíssimos, foi escritor de ficção, dramaturgo e roteirista de filmes de Humberto Mauro, interessando-se também por eventos como a Inconfidência Mineira e a Guerra do Constestado. Entre 1939 e 1942, exilou-se no Uruguai e na Argentina, não se identificando com a elite modernista, nem com o comunismo de viés stalinista.
Brasil Gerson é o protagonista do mais recente livro de Raul Antelo, mas não espere por uma biografia. Embora alguns detalhes de sua vida estejam espalhados pelos capítulos, isto se deve ao fato de que o autor buscou melhor abordar o conteúdo dos textos daquele jornalista e escritor. Nascido em 1904, na então pequeníssima cidade catarinense de São Francisco do Sul, ainda na adolescência iniciou sua carreira no Jornal de Joinville. Antes de completar vinte anos, já estava no Rio de Janeiro, onde se tornou o primeiro cronista cinematográfico de A Manhã, vindo a trabalhar também no vespertino Boa Noite. Após a temporada carioca, onde alimentou o pseudônimo de cavalheiro do teatro que vive nos cinemas, transferiu-se para São Paulo, trabalhando, entre outros, no Correio Paulistano, único jornal a apoiar a Semana de 1922, no Diário da Noite e em A Platéa, jornal esquerdista do qual foi diretor.
Inserido entre os apoiadores da Semana de 22, o jornalista também participava das discussões modernistas que se travavam na residência do arquiteto Gregori Warchavchik (1928). Pouco tempo depois, iria colaborar no último número de O homem do povo, periódico de Oswald e Pagu, criticando os intelectuais próximos do Partido Democrático, dentre eles, Mário de Andrade, por guardarem com carinho a primeira situação individual conquistada na velha e clássica luta pelo pão e a roupa, no amanhã do sempre. Reconhecendo-se como uma fita colorida de enredos banalíssimos, foi escritor de ficção, dramaturgo e roteirista de filmes de Humberto Mauro, interessando-se também por eventos como a Inconfidência Mineira e a Guerra do Constestado. Entre 1939 e 1942, exilou-se no Uruguai e na Argentina, não se identificando com a elite modernista, nem com o comunismo de viés stalinista.
Bem verdade que não deixa de haver um eco benjaminiano, quando o autor reconhece em seu esforço, ao retraçar os passos de Brasil Gerson, uma dimensão diferida do modernismo vitorioso. Mas também é vero que, pela diversificada e rica citação dos textos daquele jornalista, transborda uma ironia com a qual Raul Antelo parece tanto simpatizar como nos provocar. É o caso de um artigo publicado no Para Todos em 1927, em que contrapõe a peça de Pirandello, interpretada em italiano para quem não entende aquela língua com o ambiente dos cabarés, onde todos bebem, se conhecem e compreendem, não há oposição, nem comunismo e nem carta- magna desrespeitada pelo poder executivo.
Assim, estudioso do modernismo paulistano, Raul Antelo apresenta-nos por meio dos escritos de Brasil Gerson, um rico caleidoscópio por onde adentramos no universo que em muito ultrapassa os dados pessoais daquele intelectual, ainda hoje tão pouco conhecido. Retratado por Flávio de Carvalho em duas ocasiões, porém se você quiser saber como o autor chega a atribuir a seu personagem uma solidão revolucionária e associá-lo a um tipo de jacaré inofensivo, é recomendável não perder nenhum dos saborosos capítulos. Em cada um deles, somos conduzidos por novos giros e iridescências, levados a novas informações documentais, detalhes surpreendentes e articulações inteligentes que nos permitem reconhecer um panorama cultural e político por onde se movia (e move?) uma porção da sociedade letrada e urbana, com suas mazelas e virtudes, ambições e renitências.
Rosangela Miranda Cherem– junho de 2026.
SERVIÇO:
lançamento do Livro de Raul Antelo – Barsil Gerson
Mesa Redonda com Rosangela Cherem – “Vida arte e política: Brasil Gerson”
Dia 13 de junho, às 15h
Local: Auditório do Museu da Escola Catarinense – MESC
Rua Saldanha Marinho, 196 – Centro, Florianópolis – SC, CEP 88010-45



